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Competir ou cooperar?

17 January, 2008 - 10:54h Délcio Rocha

Competir e cooperar na arena mundial podem parecer ações conflitantes e até excludentes, mas não o são, necessariamente. Certo, competir não é cooperar, nem cooperar é competir. No entanto, um país pode cooperar com uns países para competir melhor com outros. Pode competir com uns para melhor cooperar com outros. E pode, simultaneamente, competir e cooperar com um mesmo país, em distintas áreas. Vivemos num mundo complexo e multifacetado. A interdependência dos países é cada vez maior e abre diferentes e legítimas oportunidades de convivência. O importante a frisar é que tanto competir quanto cooperar são ações indispensáveis no mundo de hoje. E que, para ter êxito, requerem apoio permanente, preparação especializada e programas consistentes, com base no governo e na sociedade.
Para competir com sucesso, é necesário oferecer produtos e serviços dotados de benefícios de uso e/ou qualidade e/ou preço. Elevar a competitividade de um país no mercado externo significa incrementar processos ativos e crescentes de inovação tecnológica e industrial, que, por sua vez, exigem infra-estrutura de pesquisa científica e tecnológica cada vez mais ampla e criativa.
O Brasil promove, desde o fim dos anos 90, seu maior esforço político para estabelecer e impulsionar a cultura da inovação nos sistemas produtivos do país. É uma maratona histórica. Tem recebido forte apoio nos últimos anos e ainda exigirá mais iniciativas corajosas do governo e da própria indústria para atingir os altos níveis de capacidade competiviva de que carecemos. Quanto mais idéias, estudos e propostas surgirem neste sentido, melhor.
A época é de pôr as cabeças a funcionar a todo o vapor, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, nos mais relevantes campos de atividades. O Prêmio Finep de Inovação desempenha papel fundamental nesta corrida. Mas outros certames e estímulos serão, certamente, bem-vindos, para mobilizar empresas, centros de pesquisa e jovens de todas as idades.
Ganhar o mundo (ou boa parte dele) competindo com lucidez é imprescindível, sem dúvida. Mas não é suficiente. É preciso também, e em grande escala, embrenhar-se nos meandros da cooperação com outros países e com as organizações internacionais. Este âmbito, provavelmente, é bem mais difícil e complicado do que em geral se imagina. Com certeza há que explorá-lo de forma mais sistemática e eficaz, sobretudo nas esferas estratégicas do conhecimento qualificado, ou seja, da ciência e da tecnologia.
Se o mundo precisa se abrir cada vez mais à livre competição entre as múltiplas forças produtivas, guardados os inalienáveis princípios da eqüidade e do primado do interesse público, com mais razão ele clama por doses maciças de cooperação em áreas vitais, como a solução pacífica dos graves conflitos existentes, o desenvolvimento sustentável de todos os países, o livre acesso ao conhecimento e à cultura, as correções de rumo da civilização humana, a viabilidade e a sobrevivência do planeta.
Nosso país, em particular, deve ainda descobrir o caminho cooperativo da Índia, alargar as relações de entrosamento com a China - já tão auspiciosas no Programa CBERS (satélite de recursos terrestres) -, dobrar (triplicar, quadruplicar) o Cabo da Boa Esperança com a África do Sul, a comunidade de países de Língua Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé) e tantos outros países africanos, sedentos de parcerias e desenvolvimento.
Na América do Sul, nos defrontamos com o desafio inadiável de construir, juntos, uma integração inteligente e um mercado de produtos e oportunidades para benefício de todos os povos da região. A região amazônica, rica como só ela em vários países, é chance de cooperação - ainda adormecida - que pode ser altamente produtiva. Muita cooperação genuína temos a forjar e a fortalecer com o mundo desenvolvido para também usufruir do manancial de riquezas e conquistas - do mais alto nível - ali criadas e acumuladas. E exercer nesta obra o direito de decidir e escolher, segundo interesses nacionais definidos com critérios de ciência e espírito público.
A cooperação bem conduzida costuma ser fonte de valores e capacidades que vão se enriquecendo mutuamente, em clima de solidariedade contagiante entre os mais diferentes países.
Cooperar com respeito, paciência e talento é operar com longo alcance, amplas perspectivas, estabilidade, previsibilidade e maior segurança. Não por acaso, a velha e boa colaboração projeta-se no futuro, renovando-se como um moto contínuo, sem hora para acabar.
Daí que entre competir e cooperar, não há o que escolher ou preferir. Ambas as atividades devem merecer toda nossa atenção, cada uma a seu modo e a seu tempo. A questão-chave é conhecer bem as singularidades, limitações, potencialidades e grandezas de cada uma. E evitar confusões descabidas e comprometedoras entre uma e outra. Afinal, uma é poderosa exigência do mercado, com suas oscilações e incertezas, enquanto a outra circula numa escala de valores e compromissos bem mais densos e duradouros.
O melhor é jogar nas duas com toda eficiência e maestria. E colocar acima de tudo os interesses públicos nacionais e globais, que hoje, mais do que nunca, tendem a andar juntos, elementos de uma mesma equação - talvez a mais desafiante do Século 21.
Por: José Monserrat Filho, Jornalista e Jurista. Chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência
e Tecnologia
Fonte: Revista Eco 21 nº133

- Categoria: Governo e Política, Que país é esse??, Agronegócios, Vida e Ambiente, Ambiente Urbano, Economia, Ciência e tecnologia, Artigos, Artigos Técnicos

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1 Comentário Adicione o seu

  • 1. suélen bitencourt sedrez  |  14 April, 2009 - 16:44h

    eu gostei do saite pois tem varias coisas para pesquisar

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