Governador de Roraima diz que operação em reserva pode começar em 48 horas
9 April, 2008 - 11:02h Délcio Rocha
A tensão aumentou nesta terça-feira (8) na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, depois que o governador José de Anchieta Júnior (PSDB) comunicou que pode ser deflagrada em 48 horas a Operação Upatakon 3, da Polícia Federal, para retirada dos habitantes não-índios do interior da área.
O governador disse que a comunicação foi feita em reunião com policiais federais. Segundo Anchieta Filho, a última esperança para evitar a operação é uma ação que o Estado ajuizou no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a suspensão, até o julgamento de mérito, das ações que contestam a homologação da reserva.
"Se a operação for mesmo efetuada, ninguém ganhará nada com isso. Será ruim para todos que vivem em Roraima", afirmou o governador.
Na terça pela manhã, Anchieta Filho se reuniu com representantes do grupo de arrozeiros que resiste em deixar a terra indígena. Ele ofereceu estrutura logística para retirar de forma pacífica os manifestantes e equipamentos agrícolas da área. Os arrozeiros ficaram de responder a proposta.
"Quero evitar que eles tenham um prejuízo maior do que já estão tendo", disse.
Upatakon 3 - A determinação do governo de Roraima de recorrer ao STF ocorre após o início, na semana retrasada, do desembarque de policiais federais em Boa Vista para começar o trabalho de retirada da população não-índia da área, que tem cerca de 1,7 milhão de hectares e fica no nordeste do Estado.
Na última sexta-feira (4) chegaram ao Estado homens da FNS (Força Nacional de Segurança), que devem auxiliar na operação. A PF não divulga a data em que dará início à efetiva retirada dos não-índios, batizada de Operação Upatakon 3.
O envio de homens da PF e da FNS tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Lula, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa Serra do Sol.
Com a homologação ficou determinada pelo governo federal a retirada dos habitantes não-índios da terra indígena. Parte deles já deixou a área, mas um grupo de não-índios - entre eles arrozeiros - permanece no local.
Roraima já registrou desde a chegada dos policiais federais uma série de protestos no Estado. No interior da terra indígena, pontes foram incendiadas por manifestantes.
Fonte: Folha Online
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