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Plantio de cana tem que dobrar para cumprir meta de produção de álcool

16 April, 2008 - 01:03h Délcio Rocha

O Brasil precisa dobrar o plantio de cana-de-açúcar para cumprir a meta de produção de álcool combustível (etanol) estipulada pelo governo até 2030. A informação é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento energético de longo prazo no país.
Conforme Maurício Tolmasquim, o Brasil produz atualmente 6,9 bilhões de litros de etanol por ano. Para chegar a 13,9 bilhões de litros - meta para 2030 - deverá dobrar até lá a produção de cana-de-açúcar para um bilhão de toneladas por ano.
- Nós precisaremos, segundo as projeções, que são bastante arrojadas, de 14 milhões de hectares de terras. Isso é o dobro da quantidade de terras que utilizamos para produção das atuais 495 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano - afirmou.
Para aumentar a área plantada de cana, Tolmasquim sugere o aproveitamento de terras destinadas à pastagem, o que também não pressionaria a área destinada ao plantio de culturas alimentícias, nem exigiria o avanço da fronteira agrícola. A produção extensiva de gado ocupa, hoje, 210 milhões de hectares.
- A média de gado por terra [ocupada] é muito baixa. Com um pouco de esforço e otimização do gado, poderíamos ter dez vezes mais terras do que a quantidade necessária para o etanol - calcula o presidente da EPE.
A pecuária de São Paulo tem, na opinião dele, o melhor aproveitamento de área por número de cabeças. A média, no Estado, é de 1,4 cabeça por hectare, enquanto no restante do país a é de uma cabeça por hectare.
- Se o Brasil adotasse o padrão de São Paulo, teríamos cerca de 70 milhões de hectares, valor dez vezes maior do que o necessário para a meta de etanol - prevê.
Na última quarta-feira, dia 9, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que o zoneamento da cana-de-açúcar será anunciado pelo governo até julho. Segundo Stephanes, a expansão da cana será feita prioritariamente em terras já degradadas, ou seja, sem a necessidade de novos desmatamentos.
Fonte: Agência Brasil

- Categoria: NOTÍCIAS, Governo e Política, Agronegócios, Questões Agrárias, Vida e Ambiente, Biocombustiveis, Agricultura, Ciência e tecnologia, Energia

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