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União Européia oferece mais US$ 187 milhões contra crise alimentar

24 April, 2008 - 22:59h Délcio Rocha

A Comissão Européia anunciou nesta terça-feira (22) uma nova ajuda alimentar de 117 milhões de euros, aproximadamente US$ 187 milhões, para os países mais pobres que enfrentam a alta dos preços das matérias-primas.
O órgão executivo da União Européia ressaltou a necessidade de que "o conjunto da comunidade internacional" se mobilize.
Com este novo montante, procedente de fundos europeus, o total de recursos captados pela Comissão Européia para 2008 destinados à ajuda alimentar é de 283,25 milhões de euros, aproximadamente US$ 453 milhões.
Além da capacidade
No entanto, o comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, indicou que a crise alimentar "vai muito além das capacidades européias", durante um debate no Europarlamento em Estrasburgo, na França.
Trinta personalidades, entre elas a diretora do PAM - Programa Alimentar Mundial, pretendiam participar nesta terça-feira (22), em Londres, de uma reunião de cúpula sobre os preços dos alimentos organizada pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Sem retorno
"A era da alimentação a preço baixo no mercado internacional acabou. Os preços dos produtos alimentares não voltarão ao nível do ano passado", disse Michel perante os eurodeputados.
"Desde 2000, os preços em dólares do trigo triplicaram, os do arroz e do milho duplicaram e o início deste ano marcou um aumento de 20%", detalhou.
"Os programas alimentares atuais estão submetidos a uma forte pressão com menos alimentos disponíveis para pessoas no limite da fome. Outros muitos milhões de pessoas, que apenas sobreviviam, estão agora ameaçados pela fome", alertou Michel.
Se em curto prazo a questão é "salvar vidas" através de uma resposta humanitária, em longo prazo é "aumentar a produção agrícola para seguir o ritmo da demanda mundial", continuou.
Medidas
A União Européia já adotou medidas nesse sentido, como por exemplo, a anulação de incentivos a cultivos obrigatórios, o aumento das cotas lácteas e a supressão das tarifas aduaneiras para suas importações de cereais.
A África deve aplicar "uma verdadeira revolução verde", indicou Michel, lembrando que a agricultura desse continente "é a menos produtiva do mundo", ainda que tenha "um enorme potencial de desenvolvimento com a condição de que se apliquem políticas de longa duração a favor das pequenas propriedades agrícolas familiares".
Ao se referir às causas da demanda da conjuntura atual - a maior demanda de alimentos na Ásia, a melhora do nível de vida, o aumento dos preços do petróleo e a mudança climática - Michel calculou que não se pode condenar de maneira alguma os biocombustíveis, que representam apenas 2% dos cultivos da UE.
Fonte: G1

- Categoria: NOTÍCIAS, Governo e Política, Internacional, Agronegócios, Vida e Ambiente, Economia, Agricultura, Ciência e tecnologia, Alimentos

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