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Transposição das águas do rio São Francisco: preocupação com a população local, oportunidade para o agronegócio ou especulação política e imobiliária?

24 April, 2008 - 23:09h Délcio Rocha

No mês de março, dia 22, foi comemorado o dia mundial da água. Pergunta-se se existem motivos para comemoração? Para responder a essa pergunta, tome-se como exemplo a bacia do rio São Francisco, que cobre 504 municípios brasileiros. Praticamente, nenhum deles possui saneamento básico e todo o esgoto doméstico e industrial in natura é lançado diretamente ao rio, além dos dejetos industriais e agroindustriais, como na região metropolitana de Belo Horizonte, que polui seu maior afluente, o Rio das Velhas. Assim, o estado de degradação em que o rio se encontra representa a real situação de como o país vem efetivamente administrando seus recursos naturais.
Em toda a extensão do rio São Francisco é comum se verificar a existência de grandes áreas com desmatamento e queimadas desde a sua nascente, que provocam o assoreamento do rio, além do desvio de água cada vez maior para projetos de irrigação, em sua maioria sem planejamento e manejo. Dessa forma, a cada ano tem diminuído perigosamente o seu volume de água e a navegação já não se faz em determinados trechos e em determinadas épocas do ano, como em janeiro deste ano de 2008.
No tocante à retirada predatória das matas ciliares do rio, influi diretamente nas cheias ocasionais. Sem a vegetação, com o solo descoberto, a água chega velozmente à calha do rio, acumulando-se e aumentando o pique de cheia, como em fevereiro deste ano de 2008, e a conseqüente redução na recarga dos aqüíferos, reduzindo significativamente a sua vazão mínima e tornando ainda mais crítico o período das secas.
Há de se considerar um outro sério problema: na década de 80 do século passado, a expansão da agricultura brasileira trouxe para o Oeste da Bahia - região de veredas e berço de inúmeros afluentes do rio São Francisco - centenas de agricultores a desbravar uma nova fronteira agrícola situada no cerrado baiano. Passados quase 30 anos, a região se consolidou como a maior produtora de grãos do Nordeste e uma das mais importantes do país. Agora, nessa região, os agricultores brasileiros têm a companhia de investidores de todas as partes do mundo, como o americano Scott Shanks, cujo grupo que representa é formado por cerca de cem investidores que já adquiriram cinco fazendas na região conhecida como Coaceral, no município de Formosa do Rio Preto.
Segundo esse americano, para investir na região, fatores como clima e logística foram fundamentais para a decisão do grupo, sobretudo porque aqui as terras ainda têm um preço atrativo em relação aos Estados Unidos. O presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) - Humberto Santa Cruz, admite que a presença de produtores de fora do país cresceu muito rapidamente nos últimos dez anos, havendo hoje cerca de 50 a 60 grupos, com aproximadamente 15% da área plantada. Justifica que em uma economia globalizada não há porque se criar empecilhos à entrada de estrangeiros.
A legislação brasileira estabelece limites para a compra de imóveis rurais por estrangeiros, mas não impõe barreira para empresas nacionais com capital estrangeiro. Em Brasília, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, fala sobre quais mudanças na legislação estão sendo estudadas para frear o crescimento da compra de terras por estrangeiros. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil também comentou o assunto, afirmando que se tem de haver a regulação no país, mas afirmam que não têm de "podar" nada, pois são a favor do liberalismo. Querem que a iniciativa privada possa agir, e que o governo brasileiro funcione como regulador, segundo Kátia Abreu, vice-presidente do órgão. De acordo com uma estimativa do Incra, cerca de 33 mil imóveis rurais - algo em torno de 5,5 milhões de hectares - estão nas mãos de estrangeiros. Outra pergunta: Será que esses estrangeiros terão a preocupação ambiental que se fazem necessárias para a conservação dos recursos hídricos dessa região? Em Minas Gerais, ainda composta basicamente por produtores brasileiros, tal preocupação, de fato, não existe.
Essas questões são problemáticas, dada a importância da parte mineira da bacia do São Francisco no contexto estadual e nacional, se deve ao fato de que esta região possui 37% da área física da Bacia, 48% dos municípios (239 municípios), 57% da população, 80% de rios perenes, 72% do volume d'água, bem como possui o maior potencial para instalação de barragens reguladoras de vazão e de ampliação da oferta de volume de água na Bacia e ainda contém a maior reserva mineral da Bacia. Esta importância, associada ao acelerado processo de degradação ambiental, que compromete a qualidade e quantidade dos recursos hídricos são fatores determinantes para a concretização de ações relacionadas à revitalização, recuperação e conservação hidroambiental deste significativo território da Bacia.
Dentre os principais agentes poluidores do São Francisco se destacam (RIMA, 2004): a) Falta de tratamento de esgotos; b) Disposição inadequada dos resíduos sólidos; c) Supressão da vegetação (topo, ciliar e nascentes); d) Frágil educação ambiental; e) Manejo inadequado dos solos; f) Áreas degradadas pela mineração; g) Falta de articulação institucional; h) Lento processo de consolidação/implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos; i) Erosão e assoreamento; j) Áreas de preservação permanentes degradadas (veredas, lagoas marginais); k) Pressão de uso agrícola sobre as áreas de recarga dos aqüíferos; l) Escassez hídrica (Norte de Minas); e m) uso indiscriminado de agroquímicos.
Transposição e revitalização da bacia do rio São Francisco

A transposição de águas do rio São Francisco é um projeto que gera muita polêmica. Constitui, basicamente, na utilização das águas do rio para a perenização de rios e açudes da Região Nordeste durante os períodos de estiagens. Os Estados beneficiados seriam: Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará - daí a idéia ser defendida pelos políticos destes Estados; já os políticos de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Sergipe não a aceitam bem, preocupados com os efeitos em seus Estados.
No processo iniciado em 1996 sob o comando da Secretaria de Políticas Regionais - no âmbito do Ministério da Integração Nacional - teve uma fundamentação técnica consistente e se baseava na sinergia hídrica que contempla a otimização dos recursos hídricos próprios das bacias a serem beneficiadas pela transposição. Esses recursos hídricos locais teriam o seu uso otimizado em função da garantia de retaguarda proporcionado pela transposição das águas do rio São Francisco que supririam "os vazios" resultantes das estiagens excepcionais. Com isso, a vazão máxima transposta cairia para 70 m³ s-1 e a vazão média seria da ordem de 30 a 40 m³ s-1.
No início de 1999, foram iniciados os estudos relativos à transposição. A transferência de água está incluída no Programa de Desenvolvimento Sustentável para o Semi-Árido e a Bacia do rio São Francisco. A prioridade, para o governo federal, é melhorar as condições de vida da população que vive às margens do rio ou tem no São Francisco o seu meio de sobrevivência. Hoje as obras de transposição já é realidade e caminha a passos largos. No entanto, o orçamento de 2005 encaminhado pelo governo federal ao Congresso previa recursos da ordem de R$ 1 bilhão para a revitalização do rio em 2006. Em 2006, para 2007, também o valor foi próximo a esse, que é inexpressivo considerando um rio com 2,8 mil km de extensão.
Na avaliação do secretário-executivo do Comitê do São Francisco, Luiz Carlos Fontes, o grande desafio do governo é conciliar a revitalização do rio com a sua transposição. Para Fontes, é preciso ter uma medida justa para revitalização, um compromisso que assegure que isso não vai ficar apenas restrito a um primeiro momento. Contudo, diversos ambientalistas, pesquisadores e técnicos, entre outros, afirmam que a transposição contemplará mais o agronegócio voltado para a exportação do que as famílias nordestinas que mais carecem. Estima-se que 90% das 200 cidades que estão em estado de emergência devido à seca continuarão em igual situação. Além disso, as áreas mais propícias à prática da irrigação estão sendo compradas por produtores do modelo de produção empresarial, estimulando, indiretamente, o êxodo rural e a urbanização.
Sabe-se que seca, o grande problema do semi-árido, não se resolve com grandes reservatórios, por que existem milhares de povoados isolados e dispersos na região que não são e não serão atendidos por eles. E é impossível geograficamente, fazer uma transposição capilarizada que atenda a todos. Muitas vezes, os dutos com água passam ao largo das pequenas propriedades e vão desaguar nos grandes reservatórios de grandes propriedades do modelo empresarial.
Para responder ao questionamento levantado no início do artigo, faz-se uma nova pergunta: afinal, a quem interessa a transposição das águas do rio São Francisco?
Por : Maurício Novaes Souza (*) e Maria Angélica Alves da Silva (**)
*É engenheiro agrônomo, Mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e Doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável; conselheiro do COPAM e da SEMAD - Zona da Mata (MG). mauriciosnovaes@yahoo.com.br.
** É pedagoga e especialista em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável; professora das disciplinas Sociologia e Artes do CEFET - Rio Pomba. gecamau@yahoo.com.br
Fonte: Ambiente Brasil

- Categoria: Ambiente em Foco, Governo e Política, Que país é esse??, Ecologia, Denuncias, Vida e Ambiente, Artigos, Artigos Técnicos

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28 Comentários Adicione o seu

  • 1. ANGELA  |  5 August, 2008 - 12:03h

    QUE COISA

  • 2. ghgfd  |  29 August, 2008 - 01:24h

    é muuuuuuuuuuuuuuuuuuito grande!!!!
    to com priguicinha de ler!!!!!!!!!!!

  • 3. Bárbara  |  4 September, 2008 - 18:58h

    acho que vcs falam de mais e nao falam sobre o que eu quero que e como e a vegetaçao e clima da regao.ou seja queria saber como ela e e nao a transposiçao do rio!

  • 4. yuri  |  16 September, 2008 - 00:47h

    VOU LER ISSO NAO

  • 5. Gabriela Jonas  |  23 September, 2008 - 18:56h

    não da pra entede quase nada
    ‘_’ AFF

  • 6. maria isabel  |  29 September, 2008 - 14:30h

    Eu queria sobre a importancia da agua
    esse site nao ha nada que me enteresse
    coloquem no site coisas mais interesantes,mais importantes
    OK?????????????????????????
    BABY         bay,bay
    BABY

  • 7. rosane rangel franco  |  16 October, 2008 - 14:39h

    Olá.
    Gostei muito do artigo. Este artigo procura fazer uma avaliação técnica a respeito do São Francisco e sua transposição.Não tem enfoque político.O rio é muito importante para o país e deveria ter mais divulgação na mídia.Me ajudou a esclarecer algumas duvidas. Obrigada.
    Rosane 

  • 8. Clara  |  20 October, 2008 - 19:27h

    CriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiidOooo! eu não entendi nada

  • 9. Elizângela  |  22 October, 2008 - 04:46h

    Muito interessante!!!!
    Usei esse texto para trabalhar a temática com meus alunos. Foi ótimo!!!
                                                               Obrigada!!!! 

  • 10. anderson  |  30 October, 2008 - 10:52h

    é muito grande eu ñ vou ler,isto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
     
     

  • 11. léia  |  30 October, 2008 - 22:38h

    é muitu grande esses texto
    e naum tem nada o q eu quero
     

  • 12. siedhel  |  6 November, 2008 - 19:10h

    vcs escrevem muito,muito,muito…
    além da letra ser minúsculaaaaaaa…
    naum vo ler naum!!!!!!!
     

  • 13. jose victor  |  18 November, 2008 - 11:29h

    esse artigo é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiito interessante; porq trata da tranposiçãõ nos mais minuciosos detalhes.obg

  • 14. beety  |  22 November, 2008 - 13:28h

    caramba, vocês não tiraram minha dúvida !
    E outra coisa é muito grande !

  • 15. Helio Antonio  |  4 December, 2008 - 02:47h

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk PREGUIÇA de LER
     
    e EU que tenho que fazer um trabalho da escola MANUSCRITO detalhado sobre esse assunto e este aqui é o menor que eu achei…. @%$ que o pario…
     

  • 16. gustavo  |  18 February, 2009 - 15:14h

    Parabéns, gostei do artigo, foi de grande proveito, temas como estes deveriam serem bem mais divulgados pela mídia nacional, pois nos possibilita fazermos melhores reflexões a cerca de um assunto tão importante.Menos BBB e novelas e mais aprendizado sobre politicas ambientais.

  • 17. alana  |  22 March, 2009 - 16:03h

    que grandeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • 18. Ceci  |  1 April, 2009 - 00:41h

    Talvez não seja tão grande quanto a ignorância.
    Com relação às dúvidas que foram questionadas mas não foram esclarecidas, quais são?
    Quanto ao artigo em sí, é muito interessante. É um caso atual e nosso; mesmo que não estejamos próximos dele, indiretamente fazemos parte dele. É no Brasil. Quer queiramos ou não precisamos tomar conhecimento das atitudes antes que sejam ações, e ações irreversíveis.

  • 19. jugiii  |  6 April, 2009 - 21:54h

    ESSE TEXTO É UM LIXO NAUM DA´
    PRA ENTENDER NADA
    -.-’ PERDA DE TEMPO
    AFF…

  • 20. raquel  |  22 April, 2009 - 13:48h

    e  muito grante  mesmo né

  • 21. Rodrigo  |  27 April, 2009 - 23:42h

    Eu acho que não seja uma boa ideia,
    iremos perder muita água…
    No querer transferir água de um modo artificial
    Quando chegar aqui no Nordeste, não vai ter
    metade do que veio!!!
    Não concordo.

  • 22. AROLDO RIO BRANCO ACRE  |  10 May, 2009 - 14:37h

    ESSA TRANSPOSIÇÃO É VÁLIDA
    TRARÁ GRANDES BENEFICIOS PRA
    AS REGIÕES…..

  • 23. Gillian  |  12 May, 2009 - 21:48h

    Kkkkkkkkkkkkk,
     
    um pedaço eu copiei…
     
    ssshsshushushussuhsuhsu

  • 24. lorena moreira de alvernaz  |  19 May, 2009 - 17:30h

    Muito legal esse site!!!

  • 25. Jhones Souza  |  11 June, 2009 - 16:09h

    eu nao isso nao nem q mi pague

  • 26. juliana  |  22 June, 2009 - 01:58h

    nossa e grande de ler ……..
    poderia ser menorrrrrrrrrrr
    neh
    rsrsrrsrsrsr

  • 27. juliana  |  22 June, 2009 - 01:59h

    nossa  q prequiça te ler td isso
    naum ser pq ta trabalho tão chato assimmmmmmmmmmm
    rsrsrsrrrssrrssrr
     

  • 28. keylinha♥♥♥  |  4 November, 2009 - 17:33h

    hehehe tenho um trabalho pra faser e tenhoi que le tudo iso hihihi       /°\ DA UMA PRIGUISINHA  aff:’) nao tem um resumo disso kkkk

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