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Países em desenvolvimento debatem como agir diante da inflação dos alimentos

25 April, 2008 - 22:09h Délcio Rocha

A alta nos preços mundiais dos alimentos é um fato. Como tirar proveito disso uma vez que a agricultura ainda é a base da economia de muitos países em desenvolvimento? E como reduzir a vulnerabilidade destes países frente às cotações internacionais?
As indagações permeiam os debates da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que se realiza desde o dia 20 na cidade africana de Acra, em Gana. É unânime a avaliação de que é preciso incentivar produtividade, diversificação, investir em infra-estrutura logística e agregar valor à produção dos países em desenvolvimento.
- Reconhecemos que a produção e o comércio de produtos básicos são o sustento de milhões de pessoas, especialmente na África. A dependência dos produtos básicos é um sintoma de uma economia não muito competitiva - disse o chefe da delegação da Comissão Européia, John Clarke.
- A solução, no longo prazo, tem que ser a combinação de aumento da competitividade em produtos básicos e a diversificação, para que não dependam excessivamente de determinados produtos - completou.
Como exemplo de ações nesta direção, citou programas da iniciativa Aid For Trade (Ajuda para o Comércio), como reforma na gestão das aduanas, apoio ao setor produtivo e ações sistêmicas orientadas para o investimento, como construção de infra-estrutura de transporte e energia e apoio aos setores produtivos.
Clarke também acredita ser preciso criar condições para que o mundo em desenvolvimento possa se beneficiar de maneira positiva e sustentável dos elevados preços das commodities agrícolas.
- É necessário que os países que se beneficiam deste aumento de preços comecem a pensar no investimento sustentável de longo prazo deste lucro, e em meios para distribuir os ingressos de maneira eqüitativa entre a população - opinou.
Para que isso ocorra, segundo ele, é necessária uma governança estatal de qualidade.
Carlos Márcio Cozendey, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, defendeu o uso da tecnologia para melhor proveito da alta dos preços de produtos básicos.
- Há quem pense que a Agricultura é menos importante do ponto de vista da tecnologia e é justamente o contrário. Pode e deve ser intensiva do ponto de vista tecnológico - afirmou.
A carência logística dos países em desenvolvimento foi apontada por diversos países. O ministro de Comércio da Uganda, Nelson Gaggawala, citou a carência de infra-estrutura de armazenamento e transporte como um dos grandes empecilhos para os países mais pobres.
- Se queremos tirar proveito dos preços internacionais temos que buscar os alimentos nos lugares distantes onde são produzidos, mas para isso precisamos de estradas - exemplificou.
Segundo ele, a falta de tecnologia e mesmo de frigoríficos para preservação de alimentos não permite competitividade à produção de países como Uganda.
- Não podemos competir com a tecnologia do Brasil - exemplificou.
Na avaliação do ministro de Comércio Internacional e Desenvolvimento de Exportações do Sri Lanka, G. L. Peiris, a falta de infra-estrutura logística é, inclusive, uma das principais causas da escassez de alimentos no planeta.
- As causas da escassez alimentar têm menos a ver com produção insuficiente do que com problemas de distribuição - afirmou.
- Estamos prestando atenção especial aos mecanismos de entrega - relatou. Também defendeu que se agregue valor aos produtos básicos.
- Não podemos competir com economias maiores produzindo os produtos habituais, temos que agregar valor. O Sri Lanka utiliza o látex para produção de botas cirúrgicas e pneus, por exemplo, agregando valor a nossos produtos de exportação - exemplificou.
A mesma estratégia foi defendida pelo embaixador argentino Alberto Dumont. Ele lembrou que foi isso que a Argentina fez nos anos 80, quando não pode mais exportar carne congelada em razão dos elevados subsídios europeus.
- Os frigoríficos argentinos buscaram um novo produto e hoje vendem quase exclusivamente cortes de qualidade ou carne processada - disse.
Fonte: Agência Brasil

- Categoria: NOTÍCIAS, Ambiente em Foco, Governo e Política, Internacional, Agronegócios, Economia, Agricultura, Ciência e tecnologia, Alimentos

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