Aumento do diesel deve provocar efeito cascata
2 May, 2008 - 12:46h Délcio Rocha
Em razão da grande dependência do transporte rodoviário no Brasil, o impacto do aumento do preço do óleo diesel pode pesar no bolso da população. As transportadoras já admitem reajustar o frete.
Na quarta-feira, dia 30, a Petrobras elevou o valor do litro da gasolina e do diesel nas refinarias em 10% e 15%, respectivamente. O imposto sobre os combustíveis, a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico, foi reduzido para diminuir o impacto sobre o consumidor. Em conseqüência, o governo projeta que a gasolina não terá reajuste nas bombas, mas no caso do diesel, deverá ser de 8,8%. A medida entra em vigor nesta sexta-feira, dia 2.
Em Nova York, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, classificou como "adequado" o tamanho dos reajustes e garantiu que não há novas elevações a caminho.
O reajuste do diesel deve ser sentido pelos consumidores. Como o combustível é usado por caminhões, o frete deverá subir de preço e pressionar a inflação, afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura. Mas não será sentido de imediato. O consumidor vai perceber o aumento ao longo dos próximos quatro ou cinco meses em produtos como alimentos, diz, já que as transportadoras deverão repassar aos poucos a alta nos seus custos.
Secretário da Federação dos Caminhoneiros Autônomos dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, André Costa calcula que o reflexo do combustível no frete para a categoria, com o acréscimo, alcança agora cerca de 30% dos custos.
- Para nós não tem jeito, vale a lei da oferta e da procura e nesse aspecto somos penalizados - lamenta Costa.
Entidade prepara nova tabela para fretes
O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado (Setcergs) está de calculadora em punho. A partir de segunda-feira, a câmara técnica da entidade se reúne para elaborar a nova tabela de preços dos fretes, para orientar as transportadoras associadas. No rol de principais contratantes estão o comércio e a indústria.
- O que se consome ou produz e é transportado terá reflexos - diz Sérgio Gonçalves Neto, presidente do Setcergs.
Fonte: Zero Hora
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