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Mulheres produzem cachaça e quebram preconceitos no Rio Grande do Sul

24 July, 2008 - 02:44h Délcio Rocha

Esqueça a imagem do homem que bate com o copo na mesa, vira num só gole a dose de aguardente e estrala a língua para mostrar que agüentou firme o fogo da cana na garganta. É com a participação de um grupo de mulheres que a cachaça gaúcha se afasta desse estereótipo e pouco a pouco conquista reconhecimento como um produto de qualidade. E o melhor: não arranha a goela.
Patrícia Braga (cachaça Dom Braga), Jeanine Sangalli (Água da Pipa), Luzia Abreu (Bento Albino), Cristiane Barcelos (Moenda Nobre) e Carla Adam (Moenda Nobre) formam uma turma unida. Estão à frente de quatro alambiques do Rio Grande do Sul que produzem por ano 110 mil litros de cachaça.
É pouco se comparado com os cerca de 500 milhões de litros que o Brasil produz em alambiques, ou mesmo com os 15 milhões de litros fabricados no Rio Grande do Sul. Mas não é em quantidade que a bebida das gaúchas pretende se destacar. Um dos desafios das cinco empresárias é enfrentar a idéia de que cachaça é coisa para homens e construir um mercado para o produto de qualidade.
- Acontece muito de eu ir a um bar, pedir uma cachaça e o garçom ficar assustado. Ainda mais aqui no Rio Grande do Sul. Em outros Estados, é até comum chegar em um restaurante fino e te oferecerem uma cachaça de aperitivo - conta Luzia.
Durante a reportagem, as cinco empresárias da cachaça gaúcha sorriram, retocaram a maquiagem, deram risada dos momentos divertidos que passaram desde que se conheceram. A relação foi construída durante a convivência nas reuniões do grupo Alambiques Gaúchos, que reúne 17 estabelecimentos e é coordenado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Hoje, as cinco são muito mais amigas do que concorrentes.
- Com a gente não tem essa coisa de segredo industrial. Dividimos experiências. Quando uma consegue uma boa muda de cana, passa para outra. Quando descobre bom fornecedor, indica - relata Patrícia.
Recentemente, os alambiques administrados pelas integrantes do grupo se uniram para comprar mais barato cerca de 12 mil garrafas de vidro, em um negócio que envolveu também a cachaça Weber Haus. Nas feiras nacionais e internacionais, as empresárias dividem estandes e engrossam o coro do Alambiques Gaúchos, lembrando que das 29 marcas de cachaça com qualidade certificada segundo padrões do Instituto Nacional de Metrologia, 11 são do Rio Grande do Sul.
- Não temos como competir em volume com Estados como Minas Gerais. Mas, em qualidade, já estamos - assegura o coordenador de Agronegócios do Sebrae-RS, Angelo Aguinaga.
Um aumento da ligação das mulheres com o negócio da cachaça e a possibilidade de se trabalhar o público feminino como consumidor foi constatado no estudo acadêmico que Carla Adam fez sobre o mercado, antes de investir R$ 300 mil para montar o próprio alambique, no ano passado.
- Há muito campo a ser explorado (entre consumidoras), porque a mulher tende a ter um gosto refinado, presta mais atenção nos detalhes e conta com paladar aguçado - diz.
Pelo menos entre as amigas, Jeanine já disseminou o gosto pela cachaça. Na confraria feminina que mantém com 17 mulheres, sempre dá um jeito de falar sobre o produto e promover degustações. E não se furta a responder a quem, por brincadeira ou preconceito, a chama de cachaceira.
- Sou cachaceira, sim. Com muito orgulho!
Por: Sebastião Ribeiro
Fonte: ZERO HORA

- Categoria: NOTÍCIAS, Agronegócios, Vida e Ambiente, Agricultura

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1 Comentário Adicione o seu

  • 1. PAULO ROBERTO CAIXETA  |  20 November, 2008 - 21:35h

    Parabéns às prendas empresárias da cachaça. Não conheço ainda a cachaça de vcs, mas a julgar pelas embalagens, tenho certeza tratar-se de um belo produto. Estou à procura delas aqui em São Paulo.
    Mais uma vez, meus parabéns.
    SDS
    Paulo

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