“NÃO ESTOU PREPARADO”
26 November, 2007 - 22:52h Délcio Rocha
“NÃO ESTOU PREPARADO”: A CONSTRUÇÃO DA DOCÊNCIA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
As políticas de inclusão escolar são frutos de lutas travadas por movimentos sociais, que desde a década de 1990, vêem acumulando significativas conquistas. Vários documentos foram construídos com o objetivo de se efetuar o cumprimento de tais políticas de inclusão. Entre eles, destaca-se a Declaração de Salamanca de 1994, que celebra que todas as pessoas devem aprender juntas, independentemente das dificuldades e ritmos de aprendizagem. Para tanto, esse documento faz alusão à formação adequada que os professores devem receber, possibilitando o atendimento das especificidades desde público diverso. O Brasil normatizou seu sistema educacional inclusivo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394/96, sendo que em seu artigo 59, inciso III, recomenda que os professores, das salas comuns, sejam capacitados. Assim, este trabalho é resultado de uma pesquisa que teve por objetivo investigar o processo de formação dos professores que atuam em salas regulares na perspectiva de inclusão de alunos especiais. Utilizou-se como instrumento para coletas de dados entrevistas semi-estruturadas com três professoras das séries iniciais do ensino fundamental de uma escola estadual do município de Viçosa/MG. Os resultados da pesquisa indicaram que os docentes apresentam carência de saberes teóricos, conceituais e estratégias relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem de alunos com necessidades especiais, levando-os à concretização de práticas docentes intuitivas, fundamentadas na experiência cotidiana. Revelaram, também , falta de incentivo à busca permanente de formação associada à existência de práticas docentes individualizadas. Em em face dessas considerações, pode-se visualizar atitudes de resistência dos docentes em relação ao trabalho com alunos especiais. Diante deste contexto, fica caracterizada a omissão de políticas públicas que assegurem a formação de professores para trabalharem na perspectiva da inclusão. Assim, frente a esta realidade, ganham notoriedade as afirmações dos professores: “não estamos preparados”. ( Não houve apoio financeiro)
Autores: Carla Cristina Vicente (estagiária voluntária), Ana Cláudia Lopes Chequer Saraiva (orientadora), Alvanize Valente Fernandes ( co-orientadora )
Fonte: UFV / XVII SIC / NOVEMBRO DE 2007 / EDUCAÇÃO
- Categoria: Artigos Científicos, Educação
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