Relatório alerta para a destruição de 60% da Amazônia até 2030
11 December, 2007 - 10:59h Délcio Rocha
A combinação de secas, queimadas e mudanças climáticas pode apressar a savanização da Amazônia e a floresta pode chegar a pontos críticos de emissão de gases de efeito estufa em 20 anos. O diagnóstico foi apresentado nesta quarta-feira, dia 6, pelo especialista Daniel Nepstad, do Centro Woods Hole de Pesquisa, durante a 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), em Bali, na Indonésia.
A savanização é a transformação da floresta em savana, um tipo de vegetação composta por gramíneas, árvores esparsas e arbustos, semelhante ao cerrado.
Nepstad, que há 23 anos realiza pesquisas na Região Amazônica, aponta que os atuais cenários de desmatamento, aliados ao aumento da pressão pela exploração agrícola da floresta e aos eventos climáticos extremos - como a seca que atingiu a região em 2005 -, podem levar à destruição de 60% da vegetação até 2030.
Isso representaria a emissão de 15 bilhões a 25 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, de acordo com o relatório, intitulado Os Ciclos Viciosos da Amazônia. O estudo foi encomendado pela organização não-governamental (ONG) WWF.
- Uma vez que a exploração de madeira, a seca e o fogo entram na mata, a floresta fica mais vulnerável ainda para pegar fogo de novo, e o pecuarista, o fazendeiro também estarão lá novamente. São ciclos de retroalimentacão, ciclos viciosos levando à degradação da floresta - explicou.
O tema da redução de emissões por desmatamento é um dos principais assuntos em negociação na Conferência das Partes sobre o Clima.
- Falta um grande incentivo econômico para a questão, por isso estamos aqui em Bali - afirmou Nepstad.
O Brasil defende a criação de um fundo voluntário para garantir "incentivos positivos" aos países que conseguirem reduções comprovadas de desmatamento. Por enquanto, a proposta tem pouco apoio em Bali e deve perder espaço para sugestões que vinculem a compensação a mecanismos de mercado e ao estabelecimento de metas - possibilidades descartadas pelo governo brasileiro.
- Seriam necessários US$ 8 bilhões [para frear o desmatamento], acho muito difícil conseguir todo esse dinheiro voluntariamente - ressaltou Nepstad.
Na avaliação de Mauro Armelim, da organização não-governamental WWF Brasil, o país deveria aproveitar a COP como uma oportunidade para pressionar as negociações e incluir a redução do desmatamento na agenda mundial de prioridades em relação às mudanças climáticas.
- O tema vem ganhando espaço desde a COP-11, em Montreal, no Canadá. É um reflexo de que o mundo está entendendo o assunto como uma oportunidade de redução (de emissões globais) - avaliou.
- Reduzir emissão de floresta significa reduzir o desmatamento, que tem uma série de conseqüências, no caso do Brasil: roubo da madeira, grilagem de terra, mortes. Ou sejam, resolver o desmatamento significa dar um passo adiante no desenvolvimento do país - acrescentou.
Fonte: Agência Brasil
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1 Comentário Adicione o seu
1. LUCIA | 26 July, 2008 - 22:29h
gOSTARIA DE DADOS DO ESTAGIO ATUAL DA DESTRUIÇÃO DA NOSSA FLORESTA AMAZONICA, ALGO ESPECIFICO PARA UM TRABALHO.
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