Rio Grande do Sul aguarda campo mais valorizado na safra 2008
12 December, 2007 - 10:12h Délcio Rocha
No semestre em que a soja atingiu sua melhor cotação em 34 anos - no último dia 26, o preço do grão na Bolsa de Chicago bateu em US$ 11,095 por bushel (27,2 quilos) - , a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) traçou um cenário favorável para o agronegócio gaúcho em 2008. Entre os principais fatores para a maior valorização dos produtos agrícolas estão a perspectiva de franco crescimento das áreas de florestamento e da exploração do etanol, que limitarão a oferta no campo em relação ao consumo, garantindo preços mais justo ao produtor.
Ao fazer um balanço sobre o processo de recuperação do campo em 2007, contudo, o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, alertou que a safra cheia no Rio Grande do Sul, de 23,47 milhões de toneladas de grãos, foi insuficiente para resolver o endividamento em negociação com o governo federal, alvo de críticas:
- Precisamos de saúde financeira para dar prosseguimento à recuperação.
O presidente aproveitou para reafirmar que deseja a extinção do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Confira, os principais assuntos destacados durante a entrevista coletiva de final de ano da federação.
1 - Estoque de dívidas
Com R$ 17,75 bilhões em dívidas acumuladas, os gaúchos aguardam uma solução para o endividamento acumulado ao longo dos anos até o final deste mês. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, contudo, criticou o pouco diálogo durante a negociação em andamento. A esperança é de que a resolução possa ser beneficiada pela negociação em torno da CPMF. A ambição é conseguir negociar uma fórmula que não prejudique o poder de investimento dos produtores. Segundo informações da bancada ruralista, a proposta apresentada pelo governo federal é de pagamento equivalente a 3% do faturamento bruto ao ano.
- O espaço de discussão não existe, se restringe ao trabalho entre técnicos. A definição será do governo federal, é o governo federal que irá anunciar, se anunciar - destacou Sperotto.
Na mesa de negociação, há R$ 71 bilhões em dívidas de produtores de arroz, soja, milho, trigo, cacau, café e algodão. Juntas, as culturas totalizaram faturamento de R$ 66 bilhões em 2007.
O montante refere-se a débitos levantados junto ao Tesouro Nacional, investimentos e custeios alongados em instituições financeiras, explica o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), da Comissão de Agricultura.
2 - Sanidade animal
A pretensão é de que o Rio Grande do Sul consiga rastrear o rebanho até 2009, atendendo a exigências sanitárias crescentes e garantindo o fortalecimento das exportações. Dois mercados importantes demandam animais rastreados: União Européia e Chile.
Além do lançamento de uma campanha de conscientização, a intenção é uma ação conjunta onde Emater e Secretaria Estadual da Agricultura subsidiariam a certificação entre pequenos e os demais seriam incluídos em programas de incentivo da cadeia.
A rastreabilidade atinge cerca de 2,6% do rebanho bovino no Rio Grande do Sul, de 13,2 milhões de cabeças, segundo a Secretaria da Agricultura e a Planejar.
3 - Exportações da pecuária
Os mercados chinês e irlandês podem influenciar o desempenho dos embarques da pecuária brasileira. A China passou a importar novos cortes, diversificando sua demanda. No caso da Irlanda, há resistência contra a importação de carne zebuína, o que favorece a produção gaúcha, baseada em raças britânicas. Para o presidente da Farsul, um incentivo à abertura de novos mercados está na Argentina, que restringiu a exportação de carne para brecar a inflação naquele país, consolidando o Brasil na liderança.
O acumulado até novembro chega a US$ 380 milhões para 2,55 milhões de toneladas, altas respectivas de 5% e 15% ante o mesmo período, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne.
4 - Florestamento
Houve críticas aos posicionamentos políticos que podem comprometer os projetos de florestamento no Rio Grande do Sul. Sperotto garantiu apoio às empresas que tentam desenvolver seus projetos, mas esbarraram em questões relacionadas ao licenciamento de áreas.
O presidente da Farsul enfatizou que não se pode arriscar as condições que fazem dos pampas um "paraíso" para o florestamento, devido ao clima tropical que permite a produção de eucalipto em sete anos, quando na Finlândia o corte de pinus leva 70 anos.
Fonte: Canal Rural
- Categoria: NOTÍCIAS, Internacional, Agronegócios, Vida e Ambiente, Agricultura
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