Exportação dinamiza mercado do algodão em pluma
8 January, 2008 - 09:59h Délcio Rocha
A safra 2006/2007 de algodão em pluma alcançou volumes recordes. Foram produzidas 1,5 milhão de toneladas de algodão em pluma, aumento de 44,5% em comparação com o período anterior. Com o avanço da colheita, cujo pico ocorre em junho, os preços foram cedendo ligeiramente e seguem praticamente estáveis desde meados do ano, oscilando em função apenas da demanda a cada dia.
Esta situação de preços estáveis é favorecida pelos patamares vigentes das paridades de exportação e importação. A paridade de importação, que determina o máximo de preço no mercado interno até que passe a compensar a compra de produto externo, opera acima de R$ 1,46 por libra-peso desde o mês de outubro. Por outro lado, a paridade de exportação, que determina o mínimo de mercado interno até que compense exportar, operou ligeiramente acima de R$ 1,00/lp durante todo o segundo semestre de 2007.
Isso significa que a venda no mercado interno se mantém mais vantajosa que a exportação, mas mesmo assim os produtores estão exportando. Um fator é que a demanda interna absorve apenas dois terços da produção brasileira, sendo imprescindível a busca por novos mercados. Outro fator que colaborou foi a intervenção governamental. O governo ofereceu um Prêmio Equalizador pago ao Produtor (PEPRO) para 729 mil toneladas - 48% da produção doméstica -, sendo que o produtor poderia comercializar a pluma no mercado interno ou no externo. Esse acréscimo é definido com base nas cotações da ICE Futures, na taxa de câmbio e no diferencial em relação ao preço mínimo oficial (R$ 1,35/lp). Aqueles que comprovarem a venda a partir de novembro receberão cerca de R$ 0,44 por libra-peso a título de prêmio do Pepro.
Mesmo assim, devido principalmente à valorização do real frente ao dólar, compradores apostavam que parte do volume que estava registrado para exportação poderia ser redirecionada ao mercado interno. Da safra 2006/2007, mais de 615 mil toneladas foram registradas para exportação. Diferentemente dos anos anteriores, porém, os embarques neste mês e nos próximos devem ser de bons volumes. Isso porque, apesar de a paridade de exportação estar próxima de R$ 1,00/lp, o prêmio do Pepro para aqueles que escoarem o produto entre novembro de 2007 e abril de 2008 (período máximo de comprovação das vendas) está acima de R$ 0,44/lp. Dessa forma, exportar a pluma passa a ter remuneração maior que a obtida com a venda no mercado interno. Outro motivo para manter as exportações é garantir os mercados conquistados.
Além disso, ressalta-se que o valor recebido pela exportação com prêmio do Pepro favorece uma remuneração próxima aos valores da paridade de importação. Isso, por sua vez, leva a restrição vendedora, observada praticamente em todo o segundo semestre de 2007.
Também chama a atenção neste mercado a dinamização das vendas antecipadas. Segundo dados da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), aproximadamente 800 mil toneladas de pluma da safra 2007/2008 já foram comercializadas até final de novembro, representando 50% da produção estimada pela Conab (1,6 milhão de toneladas). Deste total, 80% estão comprometidos para exportação. Há bons volumes negociados também para as duas safras seguintes e inclusive para a safra 2010/2011.
Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada
- Categoria: NOTÍCIAS, Agronegócios, Economia, Agricultura
1 Comentário Adicione o seu
1. Sandoval Farias da Mata | 30 January, 2008 - 14:03h
A matéria está muito boa, servindo para tomada de decisões.
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